Criação de fundo dá novo fôlego à cadeia extrativista do pequi no cerrado mineiro

Minas Gerais produz cerca de 30% de toda a produção brasileira de pequi

Minas Gerais produz cerca de 30% de toda a produção brasileira de pequi

As milhares de famílias mineiras dependentes da renda gerada pelo extrativismo ganham um novo alento com o decreto sancionado pelo governador Antonio Anastasia em março deste ano. O texto altera a lei nº 13.965, que institui o Programa Mineiro de Incentivo ao Cultivo, à Extração, ao Consumo, à Comercialização e à Transformação do Pequi e Demais Frutos e Produtos Nativos do Cerrado (Pró-Pequi), ação do Governo de Minas que visa desenvolver a cadeia extrativista do bioma sob uma perspectiva sustentável.

A nova regulamentação prevê a criação de um fundo que será constituído pelos recursos arrecadados com a derrubada legal de pequizeiros. Estes recursos serão direcionados a projetos de assistência técnica, à pesquisa e ao incentivo da cadeia extrativista no Cerrado mineiro.

“Todo recurso oriundo do corte de pequizeiros formará um fundo que vai propiciar a expansão da cadeia produtiva. É um instrumento legal que incentiva o extrativismo do pequi e demais frutos do Cerrado”, destaca o subsecretário de Agricultura Familiar, Edmar Gadelha, que também ressalta a possibilidade de firmar convênios como alternativa para levantar recursos.

Atualmente, está sendo formado um conselho com a participação de representantes de diversas secretarias de Estado, que definirá a normatização dos projetos do Pró-Pequi.

“A expectativa é de que a nova organização estimule a cadeia produtiva. Em Minas Gerais, já existem algumas, mas há espaço para crescer, já que o bioma ocupa mais da metade do território mineiro”, defende Edmar.

A Cooperativa Grande Sertão, do município de Montes Claros, no Norte de Minas é um exemplo de cadeia produtiva bem sucedida. Em 2012, a produção da entidade alcançou 100 toneladas. Para 2013, a previsão é de chegar a 150 toneladas.

Os mais de 180 cooperados são responsáveis por mobilizar cerca de 1.000 famílias da região que, muitas vezes, têm o extrativismo como única fonte de renda. “Atuamos no setor de industrialização da produção da agricultura familiar, fornecendo polpa de frutas, rapadura, mel, derivados de pequi e óleos para escolas, creches, hospitais e mercado de varejo local”, explica o engenheiro agrônomo da cooperativa, Luciano Rezende Ribeiro.

“É um empreendimento concreto de enfrentamento das questões vivenciadas pelo sertanejo do Norte de Minas, com habilidade para prestar assessoria agroextrativista a povos e comunidades tradicionais”, afirma.

De acordo com Edmar, uma das prioridades da nova era do Pró-Pequi será a capacitação das cooperativas e seus respectivos cooperados e famílias agregadas, para que elas possam aperfeiçoar a sua gestão e levar mais benefícios às comunidades. “Vamos capacitar e sensibilizar as cooperativas”, acrescenta o engenheiro agrônomo.

Agência Minas

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