Gasmig investe no mercado varejista e no atendimento de empresas

Edifício Chamonix, no Santo Agostinho, foi o primeiro a ser abastecido com gás natural em Minas

Com orçamento próprio de R$ 250 milhões previsto para ser aplicado até 2017 só no atendimento residencial, neste ano a Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) está colocando em prática um ousado programa de diversificação dos serviços da empresa.

Com isso, a companhia está deixando de ter atuação focada meramente no atacado para ter uma forte presença no mercado varejista. Para atingir este objetivo, além do atendimento de demandas de empresas já atuantes ou que venham a se instalar em qualquer região do Estado, em Belo Horizonte, a Gasmig está fornecendo gás a residências e estabelecimentos comerciais na região Sul da capital e também em Nova Lima.

Até maio deste ano, o planejamento da Gasmig prevê que 890 consumidores residenciais e comerciais dos bairros Santo Agostinho e Lourdes serão atendidos com fornecimento de gás canalizado. Até o final do ano, a meta é de que sejam atendidos, no mínimo, 1,2 mil clientes.

Até 2016, a cada ano, a Gasmig pretende fornecer gás a 8 mil residências e estabelecimentos comerciais sediados em Belo Horizonte. Para isso, caso a demanda cresça acima do esperado, além de orçamento próprio a empresa poderá captar recursos no mercado junto a instituições de fomento, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O presidente da Gasmig, José Carlos de Mattos, explica que a meta de expansão da companhia, que até então estava centrada no fornecimento de gás no atacado para indústrias e postos de combustíveis, segue orientação do Governo de Minas no sentido de otimizar a utilização das redes de distribuição de gás canalizado já existentes na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e em outras regiões do Estado.

O fornecimento de gás canalizado a residências começou em Belo Horizonte na segunda quinzena de fevereiro, contemplando inicialmente os bairros Santo Agostinho e Lourdes, onde já foram instalados 12 quilômetros de tubulação. Os investimentos em execução são da ordem de R$ 13,6 milhões, incluindo a construção de linha-tronco de aço com extensão de dois quilômetros, que consistiu na derivação de gasoduto já existente sob a avenida Amazonas. Em residências e estabelecimentos comerciais (restaurantes, bares, lanchonetes, clubes, hotéis e hospitais), o produto pode ser utilizado em fogões, aquecimento de água em banheiros, lareiras, churrasqueiras, spas e piscinas.

O presidente da Gasmig revela que até 2016 a expansão das redes de distribuição da Companhia atenderá outros 22 bairros em direção ao BH Shopping, incluindo as regiões do Belvedere, Seis Pistas, Vale do Sereno e Betânia.

“Nestas regiões, a Gasmig já tem instalados 16 quilômetros de dutos de aço e, a partir deles, serão construídas as ramificações para ligação em residências e estabelecimentos comerciais”, explica Mattos. Técnicos da Gasmig já estão trabalhando na realização de pesquisa de mercado e na busca de adesão de consumidores, trabalho que faz parte do planejamento e antecede a elaboração de projetos.

Além de residências na capital mineira, a Gasmig já está fornecendo gás canalizado a um condomínio residencial no centro de Poços de Caldas, onde a empresa já executou projeto semelhante ao que vem sendo implantado na capital, e em Nova Lima, por meio de linha tronco que atende à pelotizadora da Vale. Dois condomínios residenciais do município já estão ligados à rede de gás natural.

Segmento comercial começa a se beneficiar

No segmento comercial,o Minas Tênis Clube I, no bairro de Lourdes,se constitui no primeiro cliente âncora do projeto residencial da Companhia de Gás Natural de Minas Gerais. O combustível será utilizado no aquecimento de piscinas, saunas e em restaurantes. Além da unidade sediada no bairro de Lourdes, o Minas Náutico, em Alphaville, também já está recebendo gás canalizado da empresa.

“Desde 2005, utilizávamos gás natural fornecido por uma empresa privada, que transportava o combustível na forma comprimida por meio de carretas. Mas a partir de fevereiro, estamos sendo atendidos pela Gasmig pela via canalizada. Uma das grandes vantagens que passaremos a ter é com a redução de despesas com logística”, ressalta o gerente de engenharia do Minas Tênis Clube, Ilídio Salgado Brandão.

O engenheiro explica que, diariamente, o clube tinha que ser abastecido duas vezes ao dia, o que causava uma série de transtornos não apenas para o estabelecimento como para os vizinhos em virtude do barulho. Com o recebimento de gás canalizado, Brandão entende que o Minas Tênis resolveu o problema de logística e reduziu o risco de interrupção no fornecimento de gás.

“Acreditamos que a adesão ao serviço prestado pela Gasmig se constitui numa boa solução para residências e estabelecimentos comerciais da área urbana de Belo Horizonte”, declaraIlídio Brandão.

O gerente de engenharia do Minas Tênis Cluberevela ainda que, para o atendimento de demandas de 73 mil associados, a entidade tem previsão de ter demanda mensal de 40 mil metros cúbicos de gás, além do uso de energia elétrica e solar. “Pela perspectiva de redução de despesas acreditamos que o insumo da vez é o gás natural”, conclui o engenheiro.

Sustentabilidade, escala e economia

Segundo o presidente da Gasmig,com a utilização de moderna tecnologia que evita a realização de grandes perfurações no solo para instalação das redes de distribuição de gás canalizado, a companhia ganha também em escala.

“A tecnologia do método não destrutivo evita a ocorrência de grandes transtornos para a população e, por outro lado, viabiliza à Gasmig acelerar a implementação de um projeto arrojado que se constitui num grande desafio comparativamente com o que as demais distribuidoras de gás no Brasil têm conseguido”, ressalta José Carlos de Mattos.

O executivo diz estar otimista com a implantação da rede de canalização de gás na capital mineira por se tratar de uma iniciativa que, além de garantir maior nível de segurança para os consumidores, lhes possibilitará uma economia de, no mínimo, entre 10% a 30% nas despesas em relação ao Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), fornecido por meio de botijões.

O síndico do edifício Chamonix, no bairro Santo Agostinho, Sérgio Guimarães Villaça, confirma que a primeira fatura emitida pela Gasmig representou uma economia de 9% para o condomínio. “Além da tranquilidade de termos gás em casa, sem interrupção no fornecimento, teremos por ano uma economia de R$ 420,00, o que equivalerá ao consumo de um mês de todo o condomínio”, comemora o síndico, respresentante de doze apartamentos.

Interiorização também está no radar

Integrando o projeto de democratização e diversificação do trabalho da Gasmig, consumidores de Poços de Caldas também já estão recebendo gás canalizado fornecido pela companhia.

Em Ipatinga, no Vale do Aço, e em Juiz de Fora, na Zona da Mata, a previsão é de que as atividades de fornecimento de gás canalizado a residências e estabelecimentos comerciais sejam iniciadas a partir do segundo semestre deste ano.

Por outro lado, com vistas ao aumento dos níveis de competitividade das indústrias já instaladas no Estado e buscando a atração de novos empreendimentos, a Gasmig assumiu o compromisso de garantir o fornecimento de gás a empreendimentos em qualquer região do Estado onde o produto ainda não tem condições de chegar por meio de gasoduto, por inviabilidade do retorno do investimento.

É o caso, por exemplo, dos municípios de Governador Valadares e Pouso Alegre, sediados nas regiões Leste e Sul do Estado, respectivamente. Nestas duas regiões até julho deste ano empresas privadas serão atendidas com o fornecimento de gás que será transportado por meio de caminhões.

“Nenhuma empresa deixará de permanecer ou vir para Minas Gerais caso o fornecimento de gás seja uma condicionante. Temos recursos técnicos, humanos e financeiros suficientes para atender os desafios”, garante o presidente da Gasmig, José Carlos de Mattos.

Agência Minas

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