Jovem que jogou filho no lixo escondia a gravidez da família evangélica

Jaqueline de Lima Xavier

Jaqueline de Lima Xavier

A Polícia Civil de Ituiutaba, no Pontal do Triângulo, vai indiciar por tentativa de infanticídio uma jovem de 19 anos que fez seu parto sozinha e jogou o recém-nascido no lixo. O crime foi na Santa Casa de Misericórdia de Canápolis, cidade vizinha.

De acordo com a delegada Anice Ahmad Mustafa Hamud, a suspeita Jaqueline de Lima Xavier confessou ter jogado o filho no lixo e, se condenada pela qualificação apresentada pela PC pode pegar de 2 a 6 anos de detenção.

Segundo a acusação, Jaqueline tentou matar o filho após dar à luz no banheiro do hospital. Ela alegou ter pensado que o menino estava morto, por isso jogou no lixo e amarrou o saco plástico, mas a PC desconfia desta versão devido a várias evidências de que ela não queria a criança.

Ela chegou à unidade médica dizendo que estava com crise de hemorroida, estaria muito inchada e com sangramento, além de ter dificuldades para evacuar. Ela foi atendida por uma enfermeira e deitada em um quarto na ala feminina. Entrou no banheiro, onde ficou por 40 minutos, dizendo que estava conseguindo.

No entanto, na verdade ela deu à luz sozinha no vaso sanitário. Em depoimento ela afirmou que, para o bebê não se afogar, ela o retirou de lá, mas o deixou cair de cabeça no chão. Pensando que estava morto colocou no saco de lixo, amarrou com dois nós e jogou no banheiro da ala masculina do hospital.

A enfermeira a viu suja de sangue e perguntou o que ela estava fazendo na ala dos homens. Ela disse que foi lavar as mãos, pois estavam sujas de sangue. Em seguida voltou para o quarto. Foi medicada.

Um dos pacientes chamou a enfermeira ao ouvir o choro de um bebê. O menino foi encontrado dentro do lixo, em meio a papeis higiênicos sujos. Ele estava roxo, apresentava traumatismo craniano, marcas de unhas no pescoço e um ferimento na boa.

Jaqueline nega ter tentado enforcar o filho e diz ter cortado o cordão umbilical com as unhas. O recém-nascido foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU). O bebê está sob a responsabilidade do Conselho Tutelar.

Jaqueline de Lima Xavier foi encaminhada na quarta-feira, 3, à cadeia pública de Canápolis.

Pais evangélicos

A suspeita afirmou à PC ter escondido a gravidez dos pais dela, pois eles são evangélicos, pastores da Igreja Evangélica Assembleia de Deus. Ela alegou medo e vergonha, já que o pai da criança não assumiria o filho. Eles não tinham um relacionamento estável, por isso teve vergonha de contar da gravidez aos pais.

Tentativa de Infanticídio

A Polícia Civil informou que tentativa de infanticídio é quando a mãe, durante o estado puerperal, mata o filho recém-nascido. O inquérito será remetido à justiça com esta justificativa. A delegada Anice explica: “estado puerperal é a mãe que, deprimida depois do parto e por causa do parto, resolve matar o filho recém-nascido.”

Nesta quinta-feira (4) a jovem passará por um exame no Instituto Médico Legal (IML) para atestar ou não o estado puerperal.

Pelo fato de a mãe estar com alteração física e psíquica, o que acarreta a redução da capacidade de entendimento, o crime é qualificado como infanticídio, que se assemelha a homicídio, mas com um tratamento menos rigoroso no Código Penal.

Guarda da criança

O bebê está sob a responsabilidade do Conselho Tutelar e a Polícia Civil acredita que, apesar de a mãe ter dito que pretende cuidar do filho, isso não deve acontecer. Nesses casos, o pai tem prioridade na guarda, mas ele ainda não se manifestou. Os avós também têm direito. Os maternos disseram que querem cuidar do neto, portanto deverão passar por uma análise domiciliar do Conselho.

Com informações de Larissa Oliveira

 

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