Entidade de direitos humanos diz que 14 jovens ainda estão presos no Rio devido às manifestações

Quatorze jovens que participaram das recentes manifestações no Rio permanecem presos na Cadeia Pública Bandeira Stampa, no Complexo Penitenciário de Bangu, zona oeste da cidade, segundo denúncia feita hoje (28) pelo Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura do Rio de Janeiro (MEPCT-RJ).

De acordo com o MEPCT, esse número é sete vezes maior do que o estimado pelas organizações de direitos humanos que acompanham o desdobramento das prisões. Ontem (27), uma equipe da entidade esteve em Bangu e avaliou a situação dos jovens que permanecem presos.

Segundo o advogado do MEPCT, Taiguara Souza, dos 14 detidos, 13 são negros, moradores de periferia e sem nenhuma condição de contratar um advogado. Ele classificou as prisões como “arbitrárias e seletivas”.

“Nós tínhamos relatos de outras ONGs de que havia apenas dois presos das manifestações. Quando chegamos lá, constatamos que esse número era muito maior. Na manifestação, a maioria não era negra e pobre. Nós também observamos que esses jovens foram presos sem provas e por crimes considerados leves, como furto e dano comum e qualificado”, disse Souza.

O advogado disse que as denúncias do MEPCT foram encaminhadas para o Instituto de Defesa dos Direitos Humanos (IDDH), que deverá pedir a soltura dos 14 jovens.

“Os presos estão mantidos em celas separadas dos presos comuns e aparentemente estão sendo bem tratados e alimentados. Nossa denúncia parte de uma avaliação de que os jovens de classe média que também participaram das manifestações encontram mais facilidades para contratar advogado e sair da prisão”.

Em nota, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro informou que não irá se pronunciar sobre o assunto, porque ainda não recebeu a denúncia.

Agência Brasil

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