Indústrias esperam mais demissões para o 2º semestre

A demissão de trabalhadores está no horizonte de 37% das empresas consultadas pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), que divulgou nesta terça (28) uma sondagem sobre os empregos no setor. Das 206 companhias consultadas, 37% pretendem demitir até o fim do ano. O mesmo relatório mostra que 56,8% das empresas consultadas demitiram funcionários nos últimos seis meses.

Mas, apesar de a indústria mineira ter perdido quase 50 mil postos de trabalho nos últimos 12 meses, a Fiemg afirma que o setor tem tentado, de várias maneiras, evitar as demissões. “A indústria tem um gasto com treinamento de pessoal, que é muito especializado. Então demitir não é interessante para ela”, explica a economista da Fiemg, Érika Cristina Mendes Amaral.

O coordenador do curso de economia da Newton Paiva, Leonardo Bastos Ávila, concorda. “Quando se trabalha com pessoas qualificadas como na indústria, demitir não é uma decisão que se toma na intempestividade. Isso ainda sem considerar os encargos trabalhistas a serem pagos no momento da demissão, como o Fundo de Garantia, o 13º salário e as férias”, explica ele.

Das empresas consultadas na sondagem, 8,3% afirmaram que, mesmo com a produção baixa, tomaram medidas para conter custos mantendo funcionários, como férias coletivas, uso de banco de horas e redução da jornada de trabalho. No entanto, outros 37,4% tiveram que dispensar, mesmo após a adoção de medidas como essas.

Proteção do Emprego. Uma das medidas citadas pelas indústrias, a redução da jornada de trabalho, faz parte do Programa de Proteção ao Emprego, lançado pelo governo federal no início do mês. Como foi feita em abril, a sondagem da Fiemg ainda não captou mudanças no comportamento dos empresários que possam acontecer com o advento do programa, mas a economista da entidade avalia que os efeitos devem ser sentidos, mesmo que a longo prazo. “Algumas empresas já estão tomando essas medidas. Acredito que os resultados desse ajuste do governo vão ser vistos a longo prazo. Mas se não tivermos um aumento no consumo, ainda teremos problemas”, avalia Érika Amaral.

Motivos

Crise. Empresas afirmam que os maiores motivos para o aperto são baixa demanda interna, altos impostos, alto custo de energia, taxas de juros elevadas e aumento do custo da matéria-prima.

Fonte: O Tempo

 

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