Vacina para combater malária é aprovada na Europa

(Imagem: Ansa Brasil)

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Pela primeira vez, uma vacina para combater a malária foi aprovada pela Agência Europeia de Medicamentos (ELA) e será analisada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), anunciou o ente europeu nesta sexta-feira (24).

A aprovação do Mosquirix (também chamada de RTS,S) é um primeiro passo para combater o problema e é indicada para crianças de seis semanas a 17 meses. O medicamento demorou mais de 30 anos para ser elaborado e foi criado em uma parceria entre a GlaxoSmithKline (GSK) com o instituto Bill e Melinda Gates.

Apesar do grande passo, os benefícios do princípio ativo ainda não são considerados fantásticos. Nos exames realizados neste ano, a vacina reduziu os casos em apenas 30%.

Segundo a nota da EMA, “com base nos resultados dos testes, os benefícios do Mosquirix superaram os riscos e podem ser particularmente importantes nas crianças de áreas em que a transmissão e a mortalidade são muito elevadas”.

Mesmo com a aprovação, o medicamento ainda não está disponível para a distribuição porque precisa de uma recomendação da OMS para ser entregue em larga escala. A análise da entidade mundial será realizada em outubro deste ano.

A ideia é que a vacina seja amplamente utilizada em países africanos, onde ocorrem a maior parte dos casos. Segundo dados da OMS, a doença causada pelo parasita Plasmodium matou mais de 584 mil pessoas em 2013 e as crianças com menos de cinco anos representam dois terços dos falecimentos.

Para o diretor do instituto Spallanzani de Roma, Giuseppe Ippolito, a aprovação é uma ótima notícia.

“A vacina evita 50% dos casos em crianças muito pequenas, que são as que mais correm riscos. Se pensarmos que morrem 400 mil pessoas por ano, mesmo com uma eficácia de 30%, isso significa que serão salvas 120 mil pessoas – e isso não é pouco”, destacou.

Lembrando que serão necessárias quatro doses para ter uma eficácia razoável, Ippolito destaca que o medicamento utilizado em conjunto com outras medidas, como o uso de mosquiteiros e inseticidas, ajudará a diminuir os casos.

A opinião positiva é dividida também com o diretor da Amref Health Africa, Githinji Gitaji, que trabalha com as comunidades mais vulneráveis ao problema no continente. “A cada minuto na África, uma criança morre de malária. A vacina ajudará a desenvolver uma solução de amplo respiro na luta contra a doença”, ressaltou Gitaji.

A GSK não revelou o valor que o remédio será vendido, mas confirmou que irá fornecê-lo a preço de custo onde 5% serão reinvestidos para o desenvolvimento de uma segunda geração do produto.

Ansa Brasil

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