Tecnologia de captação de água pode ajudar Sudeste e Centro-Oeste

Imagem: divulgação

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A tecnologia de captação de água da chuva que transformou a vida de mais de quatro milhões de pessoas no Semiárido pode ajudar a população das Regiões Sudeste e Centro-Oeste a conviver com a estiagem.

A cisterna – solução simples e de baixo custo – garante água de qualidade para uma família de cinco pessoas em um período de seca de até oito meses.

Para o coordenador do Programa Água para a Vida da organização não governamental WWF-Brasil, Glauco Kimura de Freitas, é necessário dar atenção a esta tecnologia de baixo custo e de fácil acesso que é desenvolvida no País.

“A seca é um fator novo para o Sudeste. Já os habitantes do Semiárido convivem com a estiagem desde o século XVI. Não há nada mais justo do que utilizar essa tecnologia já consagrada para acumular a água da chuva”, afirma.

Kimura alerta também para o consumo consciente. “As pessoas vão ter que mudar os seus hábitos para reduzir o consumo de água. Se conseguimos captar a água de chuva, mesmo que não seja para beber, vamos liberar a água potável para fins mais nobres.”

Convivência

Mais de 1,1 milhão de unidades para captação de água da chuva foram entregues nas cidades do Nordeste e do norte de Minas Gerais, o que representa uma capacidade de armazenamento de 17,8 bilhões de litros de água.

“Os investimentos contínuos ao longo dos anos, somados a uma parceria forte entre o governo federal, estados, municípios e sociedade civil, tem possibilitado ao Semiárido brasileiro conviver com os efeitos da seca, e não mais combatê-los, como era a cultura no passado”, afirmou o secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Arnoldo de Campos.

A construção das cisternas gera renda nas cidades, promovendo o desenvolvimento local. Já foram investidos mais de R$ 3 bilhões na comprade insumos e na capacitação e pagamento de mão de obra.

O coordenador-geral de Acesso à Água do MDS, Igor Arsky, explica que toda a comunidade é mobilizada para atuar no projeto. “Este é um aspecto central do modelo de tecnologia social apoiado pelo ministério, gerando um sentimento de conquista e apropriação que contribui com o processo de gestão da água e do equipamento instalado.”

Desde 2003, foram capacitados mais de 22 mil pedreiros por meio do Programa Cisternas, do governo federal. Além disso, todas as famílias beneficiadas participam de cursos de formação sobre a gestão e o tratamento da água armazenada.

O acesso à água também tem impacto na melhoria da qualidade de vida e da saúde das famílias. As maiores beneficiadas são mulheres e crianças, sobre quem recaía a tarefa de ter que caminhar longas distâncias e perder várias horas do dia para buscar água.

Antes das cisternas, cada família perdia, em média, até seis horas por dia para ir buscar água em açudes – tempo que hoje pode ser dedicado a outras tarefas e para a melhoria da convivência familiar.

A captação da água da chuva tem ajudado ainda o agricultor familiar a voltar a produzir alimentos e criar animais. Por meio do Plano Brasil Sem Miséria, entre 2011 e 2014, foram entregues mais de 98,6 mil tecnologias sociais que podem armazenar até 52 mil litros de água para produção.

As escolas rurais da região também estão sendo atendidas: já são mais de 960 construídas. O MDS está investindo R$ 69 milhões para a entrega de outras cinco mil unidades até o final deste ano.

Novos tempos

“Tenho água o ano todo. A chuva aqui é só uma vez por ano e aproveitamos para acumular água”, conta o agricultor familiar José Barbosa Filho, 46 anos, da comunidade do Salitre, em Juazeiro (BA). Ele e a família têm dois reservatórios instalados no sítio – uma cisterna de água para consumo próprio e outra para armazenar água para a produção de alimentos.

Ele lembra que, antes das cisternas, a região sempre foi castigada pela seca.

A água armazenada na cisterna de produção, por exemplo, é utilizada em um sistema de gotejamento que racionaliza o uso da água e ajuda o agricultor familiar na produção de 11 tipos de alimentos, cultivados com métodos agroecológicos. José diz ainda que reaproveita até a água que cai da pia da cozinha para regar as plantas do quintal.

Fonte: Portal Brasil

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