PM conclui que bombas partiram das duas torcidas

A Polícia Militar assegurou nesta segunda-feira que a versão relatada na súmula do árbitro Marcelo de Lima Henrique, de que as torcidas de Cruzeiro e Atlético atiraram bombas na arquibancada durante do clássico do último domingo, no Mineirão, partiu do Centro de Controle de Operações, equipado com câmeras em vários pontos do estádio, e não apenas do relato pessoal do sargento Barcaro, comandante do policiamento interno.

A versão do sargento Barcaro, apresentada na súmula do jogo, causou polêmica entre os cruzeirenses porque divergiu inicialmente da posição da Minas Arena, concessionária do estádio, que responsabilizava apenas os atleticanos pelo arremesso de bombas. Mas, nesta segunda, a operadora emitiu nota retificando sua informação inicial e informando que, segundo a PM, os explosivos foram mesmo atirados pelas duas torcidas.


Durante todo o dia, cruzeirenses vasculharam as redes sociais e descobriram no Facebook que Barcaro é atleticano. Postagens pejorativas relacionadas ao Cruzeiro, feitas por ele, foram compartilhadas por centenas de pessoas. A partir daí, muitos internautas questionaram a veracidade da informação passada pelo militar ao árbitro, de que as duas torcidas, e não apenas a atleticana, atiraram bombas nas arquibancadas do estádio.

Com base na súmula, Atlético e Cruzeiro podem ser denunciados ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva pelo comportamento de suas torcidas e perder mandos de campo.

Procurado pela reportagem, o coronel Ricardo Garcia Machado, do Batalhão de Eventos da PM, informou que o sargento Barcaro foi responsável no clássico por fazer a proteção dos árbitros no gramado e não esteve envolvido diretamente na contenção das torcidas.

Por isso, o depoimento passado ao árbitro por Barcaro, na súmula do jogo, baseou-se em informações oficiais do Centro de Controle de Operações, posicionado atrás de um dos gols do Mineirão. Lá, militares tiveram acesso às imagens da confusão e constataram que as bombas partiram de grupos de cruzeirenses e atleticanos. Ainda segundo o coronel Ricardo Garcia Machado, a PM não utilizou bombas de efeito moral no interior do Mineirão. 

”Conversei com o sargento Barcaro, e ele era o comandante responsável pelo policiamento do árbitro. Ele era responsável por aquele grupo de policiais que dá segurança ao árbitro. No final do jogo, ele foi questionado pelo árbitro Marcelo de Lima Henrique sobre os explosivos jogados. Pelo rádio, ele fez consulta ao Centro de Controle e tomou conhecimento que a PM não utilizou explosivos no interior, utilizou só spray de pimenta. Como ele estava mais próximo do árbitro, ele foi questionado e obteve essa versão do Centro de Controle, de que as bombas partiram das duas torcidas. Não foi uma opinião pessoal, foi uma posição oficial da Polícia Militar”, explicou o coronel Machado.

Machado evitou fazer comentários sobre o conteúdo postado por Barcaro no Facebook (veja abaixo) e a eventual incompatibilidade com a função que ele exerce nos jogos do Mineirão. “Não vamos entrar nesse mérito, não posso entrar nesse mérito, pois é uma questão particular dele. Desde que isso não influencie na atividade profissional, não vemos problema. Eu não tenho Facebook, não entro em rede social, mas obviamente temos que respeitar a opinião dele como torcedor, como cidadão”, concluiu o comandante do Batalhão de Eventos da PM.

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