Família Minakawa se encontra no Mundial de lados opostos

Família Minakawa se encontra no Mundial de lados opostosEnquanto a mãe corria pelas arquibancadas e gritava incentivando a filha, o pai assistia à luta sem nenhuma expressão.

“Não posso esboçar nenhuma reação. São ordens do Juan Carlos Barcos, diretor de arbitragem. Os árbitros tem que manter uma postura adequada ao cargo que ocupam”, comentou o pai Edison.

Isso porque a filha Camila Minakawa, que até o ano passado defendia o Brasil, disputou o Mundial do Rio de Janeiro por Israel. A mãe, Myriam, é judia e, como morou cinco anos no país, conseguiu o passaporte israelense.

“O namoro da seleção israelense com a Camila já existe há cerca de quatro anos e em 2013, o novo presidente da federação disse que gostaria de contar com ela na equipe. Vendo ela lutar é claro que tenho vontade de torcer, de pular, de gritar, mas preciso manter a postura profissional”, disse o pai.

“Não foi questão de espaço na Seleção Brasileira que me fez deixar o país. Eu estava querendo tanto na minha vida pessoal, como na minha vida profissional, uma mudança. Eu acho que é sempre bom. Tenho 23 anos e sempre treinei e morei com meus pais. Por isso acho que foi o momento certo para fazer essa mudança”, disse.

Camila compete na categoria até 57kg, a mesma da medalhista olímpica Ketleyn Quadros e da campeã mundial Rafaela Silva. E o namoro com a Federação Israelense começou em 2009 quando Camila perdeu a decisão de uma Macabíade (as Olimpíadas do povo judeu) para a campeã mundial do peso meio médio Yarden Gerbi em sua categoria.

“Em Israel eles me chamaram, me deram uma oportunidade de treinos e facilidades que não teria aqui no Brasil”, acrescentou a paulista de 23 anos.

“A Camila sempre teve o sonho de disputar uma Olimpíada e foi a seleção israelense que abriu as portas para que isso fosse possível. É claro que o coração dela é brasileiro. Esse foi o desejo dela e eu, como pai, só tenho que apoiar”, disse Edson.

“Acho que cada um tem que correr atrás do que é melhor para si. Eu acho que se servirmos de exemplo, se as pessoas se expirarem em nós, para ir em busca dos sonhos, acho que vale a pena. Você tem que correr riscos se quer ser feliz e chegar em um objetivo”, disse a atleta que ficará mais uma semana de férias no Brasil, matando saudades da família, e que espera voltar em 2016 para disputar os Jogos Olímpicos.

CBJ – Confederação Brasileira de Judô

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