Bons tempos para a Tanzânia

A Tanzânia só conseguiu se classificar para a Copa Africana de Nações uma vez, em 1980

A Tanzânia só conseguiu se classificar para a Copa Africana de Nações uma vez, em 1980. Na ocasião, a campanha se saldou com duas derrotas, um empate e a eliminação precoce ainda na primeira fase. O retrospecto dos tanzanianos no Ranking Mundial da FIFA/Coca-Cola também é marcado por altos e baixos. Depois de atingirem o seu pior desempenho com o 175º lugar em outubro de 2005, eles saltaram para 89º em dezembro de 2007, mas logo entraram outra vez numa espiral descendente, perdendo terreno gradualmente.

Quando Kim Poulsen assumiu o comando da seleção da Tanzânia, em maio de 2012, o país ocupava a 145ª posição no ranking mundial e a 42ª entre as equipes africanas. Em menos de um ano, porém, o técnico dinamarquês ajudou a nação do Leste da África a subir para o 119º lugar na classificação global e 33º no continente. E, ao que tudo indica, os tanzanianos manterão a tendência, depois de terem subido oito postos na mais recente edição da lista.

A surpreendente vitória de 3 a 1 sobre o Marrocos pelas eliminatórias para o Brasil 2014 no último dia 24 de março certamente renderá novo avanço para a Tanzânia no ranking de abril. Apontado como o grande responsável pelo rápido sucesso tanzaniano, Poulsen explicou ao FIFA.com as razões dessa reviravolta nos destinos futebolísticos do país.

Apoio e juventude

Antes de substituir o conterrâneo e xará Jan Poulsen à frente da seleção principal, o treinador dinamarquês comandou a equipe sub-20 da Tanzânia, e em 12 meses acabou revelando diversos jogadores com quem havia trabalhado na base. “Busco jogadores que tenham habilidade, claro, mas eles também precisam ter caráter e orgulho”, comentou Poulsen, apontando que a equipe também está se beneficiando de um novo patrocinador, o qual possibilitou que os tanzanianos disputassem uma série de amistosos internacionais.

 

“Uma coisa é ter o apoio da Federação Tanzaniana de Futebol (TFF), mas agora ela também tem os recursos para colocar os planos em prática, e sabe que, para ter sucesso, precisa se preparar”, completa o técnico. “Existe um sistema completo, com seleções em cinco categorias de idade do sub-15 ao sub-23, e o treinador da seleção principal acompanha essas equipes regularmente. E também foram disponibilizados recursos para a seleção principal. Tivemos algumas vitórias nesses amistosos recentes, inclusive contra Camarões. Chegamos muito perto de vencer Moçambique nas eliminatórias para a CAN 2013, e só perdemos nos pênaltis. E antes derrotamos a Gâmbia nas eliminatórias para o Mundial.”

Desafios, e não pressão

Poulsen diz que ele e os jogadores não acreditam que o sucesso automaticamente crie pressão sobre o grupo. “Depois que derrotamos Camarões houve muito interesse por parte dos torcedores e algumas pessoas disseram que não seríamos capazes do mesmo sucesso em jogos oficiais”, recorda o treinador. “Mas sempre acreditamos que tínhamos capacidade, e a partida contra o Marrocos provou isso. Não acreditamos que o sucesso deixe a equipe sob pressão, vemos isso como um desafio. Estamos conscientes de que, vencendo um jogo, você gera expectativas e a torcida quer ver cada vez mais vitórias. Os meus jogadores estão muito a fim de jogar. Às vezes descrevo os nossos dias de jogo, independentemente do adversário, como dias de festa. Os jogadores entram em campo com um grande sorriso, e só se for assim eles terão sucesso.”

Metade do elenco que Poulsen convocou para enfrentar a seleção marroquina — 77ª colocada no Ranking Mundial, uma posição bem mais alta que a da Tanzânia — nasceu em 1992 ou 1993, fato que agrada o treinador. “Também não temos nenhum jogador que atue na Europa”, destaca o dinamarquês. “Tem dois que jogam na República Democrática do Congo, o resto é de clubes locais. Se você quiser utilizar um atleta do exterior, na minha opinião ele precisa ser melhor do que aqueles que se encontram localmente. Estamos bem com os jovens jogadores que temos.”

Como não poderia deixar de ser, o técnico está otimista quanto ao futuro do futebol tanzaniano. “Todo mundo sabe que países como Costa do Marfim e Marrocos têm jogadores talentosos, mas agora podem ver que nós também temos”, diz Poulsen. “Por outro lado, tenho consciência de que haverá percalços na jornada em que embarcamos, mas eles fazem parte, assim como os sucessos. O principal é ter apoio para ir bem. Se eu fosse falar em rede nacional, diria que a vontade de ganhar é importante, mas a vontade de estar preparado é vital”, conclui.

Fonte: Fifa.com 

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