Fernández acredita em viradas

“Para essas pessoas, já estamos fora,” afirmou o goleiro ro Peru

Tomado pela emoção, o goleiro peruano Raúl Fernández admite: “Meu sonho é disputar a Copa do Mundo.” Com um tom mais racional, como se contasse um segredo, ele revela: “Mas uma parte do país não acredita mais nas nossas chances de classificação. Para essas pessoas, já estamos fora.”

Entre a ambição e a dura realidade, qual é afinal o verdadeiro limite para os peruanos? “A possibilidade de não irmos ao Brasil é cada vez maior, mas não há nada definido”, diz o goleiro do FC Dallas, da Major League Soccer. “O treinador montou um grupo unido, dedicado e inabalável. Estamos concentrados no mesmo objetivo e, para falar a verdade, aguardamos o jogo contra o Chile ansiosamente.”

Penúltimo colocado nas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, o Peru se encontra em situação difícil para quem espera disputar o Mundial pela quinta vez. Com oito pontos conquistados em nove partidas, 15 gols sofridos e dez marcados, os incas fazem uma campanha decepcionante, mas ainda não são carta fora do baralho. A quarta posição, que garante a última vaga do continente e no momento é ocupada pela Venezuela, está a apenas quatro pontos de distância. Para buscarem a classificação tão sonhada pelo país, que não sabe o que é participar da maior competição do futebol mundial desde 1982, Fernández e os companheiros terão de mostrar uma nova face da seleção.

Em nome de todo o país

Para o ex-goleiro do Nice, a mudança já está em andamento. “Tivemos uma reunião muito proveitosa na última vez em que estivemos juntos”, conta. “Logo depois, a vitória sobre Trinidad e Tobago foi, para mim, a confirmação de que a conversa nos fez bem. Treinamos bastante e tivemos um diálogo aberto. O grupo tem consciência de que está jogando por todo o país, não apenas para a família e os amigos. Queremos que as pessoas tenham orgulho da seleção”, confessa Fernández, que em 2008 recebeu a sua primeira convocação, para um amistoso contra a Costa Rica.

Três anos depois, de volta às origens no Universitário após uma passagem infeliz pelo Nice, o arqueiro foi chamado por Sergio Markarián para integrar a seleção que disputaria a Copa América na Argentina. Com uma campanha espantosa e um futebol envolvente, o Peru conquistou a terceira colocação no torneio. Fernández evita falar em crise, mas admite que, desde então, a locomotiva inca saiu dos trilhos. “Em uma competição como a Copa América, passamos várias semanas juntos e temos tempo de nos preparar para cada jogo. Nas eliminatórias é diferente. A seleção se reúne alguns dias antes, disputa a partida e depois cada um volta para o próprio clube.”

Exigência e experiência

Afinal, as expectativas criadas após o bronze na Argentina não seriam pesadas demais para uma equipe que, antes de brilhar no torneio continental, se via às voltas com uma série de problemas disciplinares? “Não, o problema não é esse”, respondeu Fernández. “Existe sempre uma pressão enorme sobre a seleção, principalmente quando o assunto é Copa do Mundo. Ela provoca muita paixão e, quando os resultados não são bons, não tem jeito, a pressão é imensa. Estamos acostumados com isso. Mas não estamos partindo do zero. O que construímos em 2011 ainda está nos ajudando. Tivemos momentos ruins de lá para cá, mas quem sabe a volta por cima não esteja logo à frente. Acreditamos nisso.”

Fernández nasceu e cresceu em Lima, jogando no gol desde as suas primeiras peladas. Hoje, aos 27 anos, possui o traquejo dos veteranos, sem ter perdido ainda o entusiasmo dos novatos. Apesar do insucesso no Nice, o peruano — que o técnico do FC Dallas Schellas Hyndman descreve como “um goleiro robusto que ganhou muita experiência na seleção” — acredita ter evoluído na França. “Lá pude me tornar um atleta melhor”, explica o guardião da meta inca. “Jogar no exterior amadurece qualquer um, porque você tem contato com outra cultura e outro nível de exigência.”

Exigência combinada com experiência: uma ótima receita para que Fernández e o Peru realizem o sonho de disputar a Copa do Mundo.

Fonte: Fifa.com 

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