Presas de Minas Gerais ganham uniforme com corte feminino

Imagem: Agência Minas

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No Dia Internacional da Mulher, as mais de três mil detentas de Minas Gerais vão receber uma boa notícia. Finalmente, ganharão uniformes que respeitam a silhueta feminina. E ninguém melhor do que elas para definir os cortes. As novas peças já estão sendo produzidas por presas de Caxambu e de Pouso Alegre, no Sul do Estado. Uma parte delas, que ainda não tinha qualificação, está fazendo cursos para suprir a demanda de toda a população feminina do sistema prisional de Minas.

A reformulação dos uniformes é uma das primeiras realizações do Comitê de Política Estadual de Atenção às Mulheres em Situação de Privação de Liberdade e Egressas do Sistema Prisional do Estado de Minas Gerais (Copeampe), criado recentemente, sob a presidência da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), com participação das Secretarias de Saúde, de Educação, de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania, de Trabalho e Desenvolvimento Social, e de Desenvolvimento Econômico. Também possuem representantes no Copeampe o Tribunal de Justiça, o Ministério Público e a Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais.

A superintendente de Atendimento ao Preso da Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi/Seds), Louise Bernardes Passos Leite, comemora a chegada dos novos uniformes. “As mulheres não precisam deixar de lado a feminilidade pelo fato de estarem presas”, diz Louise. A superintendente observa que as presas chegam a esquecer o número do próprio manequim porque as blusas, calças e bermudas são iguais para homens e mulheres no sistema prisional.

Linha de produção

Os novos modelos são mais justos no corpo, ganharam bolsos na parte de trás e um cós reto que substitui o elástico na parte frontal. Sem apelar para a sensualidade, as mudanças resgatam a identidade feminina.

Em Caxambu, quem está na linha frente da produção é Camila Teodoro de Toledo, que aos 18 anos de idade conseguiu emprego em uma malharia e acumulou conhecimento e experiência no ramo antes de ser presa. Ela explica que das máquinas do Presídio de Caxambu vão sair 1.100 calças e 1.650 bermudas femininas, totalizando 2.750 peças por mês. Orgulhosa do currículo na indústria, Camila se animou com a chance de novamente mostrar liderança, seriedade e talento.

“Eu exijo das meninas 100% de perfeição. Se a costura ficar torta, por menor que seja o desvio, peço para refazer. Eu não penso que é apenas um uniforme da Suapi. Para mim é uma peça de roupa e deve ser produzida como uma peça de alta costura”, diz a detenta, que já treinou dez mulheres.

Uma das pupilas de Camila é Daiana Nascimento Souza, de 31 anos, que comemora o aprendizado numa nova profissão e, por que não, os novos uniformes que passará a usar. “Quando era pequena via a minha mãe trabalhar em uma máquina de costura de pedal. Hoje estou aprendendo a manusear a máquina overloque e nem acredito que estou tendo essa chance. Cada aula é como se fosse a primeira. Ao mesmo tempo, acho muito gratificante poder usar roupas mais femininas”, diz Daiana.

Nova modelagem

No Presídio de Pouso Alegre, cinco detentas também já começaram a fazer os novos cortes nos tecidos para a confecção das blusas dos uniformes. Lá serão vinte mulheres trabalhando na confecção das roupas. A nova peça ganhou uma gola em formato V e uma modelagem mais acinturada. Taís Machado, de 22 anos, experimentou o novo modelo completo e aprovou o look. “Eu adorei. É muito confortável e valoriza a nossa autoestima. O uniforme que a gente usa é muito largo, é unissex e o tamanho é único”, explica a detenta.

Para Janaína Rodrigues, de 28 anos, a nova roupa foi uma grande surpresa. “A gente se veste como homem. Quando recebemos visita dos familiares a gente se olha no espelho e não gosta do que vê. Agora até as crianças irão notar a diferença. Elas vão perceber que tem bolso e que a roupa está menos folgada”, comemora.

Agência Minas

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