Recicladores participam de capacitação cooperativa

As associações de coleta seletiva de Uberlândia deram início nesta terça-feira (8) à segunda etapa do Programa Cultura da Cooperação, promovido pelo Sebrae em parceria com a Aciub. O programa de capacitação visa a desenvolver os grupos para agir cooperativamente.

Em continuidade ao cronograma dos encontros ocorridos no mês passado, os associados da coleta seletiva tomaram nota dos gráficos criados a partir dos diagnósticos dos princípios de organização grupal, como ações comuns, integração, valores, confiança, autonomia e consenso.

“É fundamental que as associações pratiquem os princípios da cooperação de forma equilibrada para sustentar as práticas”, informou a consultora credenciada do Sebrae, Regina Silva.

A capacitação, com término previsto para 2017, tem carga horária de 152 horas e acontece em quatro etapas: autodiagnóstico, formação, consolidação e emancipação. Cada etapa tem um número específico de encontros para trabalhar os temas. Para a presidente da Associação de Recicladores e Catadores Autônomos (Arca), Helena Maria de Souza, o ponto mais crítico tem sido a confiança.

“Há uma falta de confiança no gestor da associação, que é o responsável pelo trâmite. É preciso que os trabalhadores entendam que a associação é de todos. Somos um conjunto de pessoas que resolveram trabalhar juntas, mas na maioria das vezes os associados não vestem a camisa, trabalham para si próprio”, expôs Helena Maria.

Em contrapartida, a presidente alega que a união entre as associações tem dado certo e vai gerar resultados positivos. “Estamos lidando bem. Recentemente fechamos um acordo para vendermos juntos para um fábrica. Dessa maneira saímos da mão do atravessador”, completou.

O reciclador e artesão Cristiano Souza voltou a Uberlândia para tentar montar um projeto dentro dos barracões de triagem. Ele afirmou que a experiência que teve em países europeus e em outras cidades brasileiras pode auxiliar os catadores a agregar mais valor ao produto.

“É importante transformar os recicláveis em móveis, obras de arte. Eu entendo que reciclagem é para gente inteligente. Nos outros países é uma área em que trabalham pessoas com curso superior. Só no Brasil, na Índia, na África e países pobres é que a reciclagem é feita por pessoas que foram excluídas do mercado. Quero trazer para cá essa ideia de não só encher os caminhões com fardo, mas também trabalhar esse material e criar uma linha de artesanato de exportação ou venda na cidade local, porque vai fazer muito mais dinheiro”, disse Souza.

Desde 1992 no segmento, Cristiano Souza acredita que o galpão de triagem deve ter um laboratório para pesquisar o material e criar novas possibilidades para agregar mais valor no material. “Um quilo de papelão custa 30 centavos, mas com esse mesmo quilo eu faço uma cadeira que custa 500 reais. Porque só pegar e colocar no caminhão fica muito mecânico. E o ser humano é criativo por natureza”, justificou.

O presidente da AssoTaiaman, Roosevelt Martins entende que além dos problemas internos, a consolidação da coleta seletiva depende bastante da educação da sociedade. Martins apontou que as associações contam com planejamento estratégico e uma das maiores ambições é colocar pelo menos cem catadores que ficam nas ruas dentro de cada grupo. “Queremos arrumar pessoas que queiram compartilhar das ações. Mas precisamos de muito material e hoje não temos a quantidade adequada. Por isso, estamos fazendo a conscientização nos bairros novamente”, comentou.

Fonte: Prefeitura de Uberlândia 

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