Vacina contra HPV reforça luta contra o câncer do colo do útero

O câncer do colo do útero é considerado o terceiro mais frequente na população feminina, atrás do câncer de mama e colorretal. Estimativas da Organização Mundial de Saúde apontam que 290 milhões de mulheres no mundo sejam portadoras da doença e que, todos os anos, 270 mil morrem devido a esse tipo de câncer. A vacina para prevenção do HPV, vírus causador da infecção, está disponível desde esta terça-feira (3/3) nas unidades de saúde em Minas e teve sua abrangência ampliada, alcançando meninas de 9 a 11 anos, além de mulheres de 14 a 26 anos que são portadoras de HIV e Aids.

Responsável pela morte de quase 14 mulheres no Brasil todos os dias, o câncer do colo do útero é causado por uma infecção persistente na parte inferior do útero, em decorrência da contaminação pelo vírus HPV. Na maioria dos casos a infecção é transitória e regride espontaneamente, entre seis meses a dois anos após a exposição ao vírus, mas o acompanhamento médico e tratamento adequado são fundamentais para a prevenção do câncer. Quando essas alterações que antecedem o câncer são identificadas e tratadas é possível prevenir a doença em 100% dos casos.

A boa notícia é que desde o ano passado o combate ao câncer ganhou uma importante aliada, a vacina contra o vírus HPV disponível em todos os postos de saúde para meninas com idade entre 9 a 11 anos. A campanha de vacinação pode representar a primeira geração de mulheres livres do câncer do colo do útero, já que vai combinar a proteção da vacina com a do exame preventivo Papanicolau.

Segundo a referência técnica e enfermeira do Programa Estadual de Controle do Câncer do Colo do Útero e Mama, Leila Itaborahy, a vacinação e o exame preventivo vão se complementar como ações de prevenção do câncer. “Mesmo as meninas vacinadas, quando atingirem a faixa etária adequada e já tiverem vida sexual ativa, deverão fazer o exame preventivo periodicamente. Isso porque a vacina, mesmo sendo eficaz, não protege contra todos os tipos de HPV que causam o câncer”, afirma.

As alterações celulares causadas pelo HPV são facilmente descobertas através do exame preventivo, o Papanicolau. Em 2014, foram realizados em Minas 931.228 exames em mulheres na faixa etária de rastreamento, de 25 a 64 anos (dados parciais). Para ter acesso ao exame, basta procurar a unidade básica de saúde mais próxima.

Infecção pelo HPV

A infecção pelo vírus HPV é considerada comum. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 80% das mulheres sexualmente ativas serão infectadas por um ou mais tipos do vírus em algum momento da vida e essa porcentagem pode ser ainda maior em homens. Estima-se que entre 25% e 50% da população feminina e 50% da população masculina em todo o mundo esteja infectada pelo HPV. Por ser sexualmente transmissível, uma das principais formas de prevenção é o uso de camisinha em todas as relações sexuais.

Existem mais de 100 tipos diferentes de HPV, mas a maioria das infecções é considerada assintomática e transitória. Isso significa que tanto homens quanto mulheres podem estar infectados pelo vírus e não desenvolver nenhum tipo de sintoma. Os tipos 16 e 18 do vírus são considerados de maior risco para desenvolvimento do câncer, uma vez que estão presentes em 70% dos casos de câncer de colo do útero. Já os tipos 6 e 11, por exemplo, são responsáveis pelo aparecimento de verrugas genitais.

A vacina contra o HPV é utilizada para a proteção contra as infecções causadas pelo vírus e que também estão relacionadas a vários tipos de câncer, entre eles o do colo do útero, boca e garganta. A vacina é altamente eficaz na prevenção de infecções pelos subtipos 16 e 18 (os mais graves) e pelos subtipos 6 e 11 (responsáveis pelas verrugas genitais). Para garantir 100% de proteção, cada adolescente precisa tomar as três doses da vacina, sendo a segunda seis meses depois da primeira e a terceira e última etapa, cinco anos após a primeira. Na vida adulta, a vacina contra o vírus não dispensa o uso da camisinha, já que diversas outras doenças também são transmitidas por via sexual. Além disso, a vacina não protege contra todos os tipos do vírus.

A coordenadora de Imunização da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, Tânia Brant, lembra que a vacina é altamente segura e eficaz e que a maior parte dos eventos adversos relacionados a ela ocorrem por fatores psicológicos. “Assim como qualquer outra vacina, a que protege contra o HPV possui alguns efeitos colaterais considerados normais. Os principais são dor no local de aplicação, dor no corpo e indisponibilidade. Casos de meninas que se sentem mal a ponto de desmaiar estão relacionados a fatores psicológicos causados pelo medo. Também é importante ressaltar que não há nenhuma relação entre a vacina e aumento da libido”, afirma.

Saiba mais

– A infecção pelo HPV pode se manifestar através de lesões clínicas com aspecto de couve-flor e tamanho variável. Conhecidas popularmente como “crista de galo”, “figueira” ou “cavalo de crista”, as lesões podem aparecer nas mulheres no colo do útero, vagina, vulva, região pubiana, perineal, perianal e ânus. Em homens podem surgir no pênis (normalmente na glande), bolsa escrotal, região pubiana, perianal e ânus. Essas lesões também podem aparecer na boca e na garganta em ambos os sexos.

– A transmissão do vírus se dá por contato direto com a pele ou mucosa infectada. A principal forma é pela via sexual, que inclui contato oral-genital, genital-genital ou mesmo manual-genital. Isso significa que o contágio com o HPV pode ocorrer mesmo na ausência de penetração vaginal ou anal. Também pode haver transmissão durante o parto.

– Apesar de sempre recomendado, o uso de camisinha durante todo contato sexual, com ou sem penetração, não protege totalmente da infecção pelo HPV, pois não cobre todas as áreas passíveis de ser infectadas. Na presença de infecção na vulva, na região pubiana, perineal e perianal ou na bolsa escrotal, o HPV poderá ser transmitido apesar do uso do preservativo. A camisinha feminina, que cobre também a vulva, evita o contágio de forma mais eficaz, se utilizada desde o início da relação sexual.

– Não está comprovada a possibilidade de contaminação por meio de objetos, do uso de vaso sanitário e piscina ou pelo compartilhamento de toalhas e roupas íntimas.

Agência Minas

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