Correr na piscina ajuda a curar lesões e ainda queima calorias

Para quem observa de fora da piscina, a impressão pode ser a de que a atividade não passa de uma simples aula de hidroginástica. Mas o trabalho realizado numa atividade de corrida na água (deep running) é um poderoso aliado na recuperação — ou na prevenção — de lesões em atletas e corredores de rua.

“Correr dentro da piscina passa longe de ser hidroginástica. Exige muita força e coordenação motora”, diz a publicitária Ana Karla Guerra, 32 anos, que pratica a atividade três vezes por semana. Ela iniciou a aula, há três anos, pelo mesmo motivo que, na década de 1980, a maratonista norte-americana Joan Benoit foi uma das primeiras a utilizar esse tipo de treinamento no esporte profissional: uma contusão no joelho.

Benoit se empenhou na atividade dentro da piscina para conseguir manter o condicionamento físico, um mês antes das Olimpíadas de Los Angeles, após ter passado por uma sala de cirurgia. Para a surpresa de muitos à época, ela conseguiu a medalha de ouro.

Correr dentro da água causa baixo impacto nas articulações e, ao mesmo tempo, expressivosganhos  no condicionamento corporal. Os praticantes correm dentro d’água com o auxílio de um colete flutuador, que é preso à borda da piscina para não deixar os pés do aluno em contato com o fundo da piscina — que tem que ser profunda — e haver um impacto nulo do movimento sobre as articulações do corpo.

Ao correr e também praticar outras atividades que fazem parte do treino, como exercícios localizados para fortalecimento muscular, o aluno perde, no mínimo, 450kcal por aula. A água que cobre todo o corpo força os músculos opostos aos que estão em atividade a trabalhar igualmente.

“O deep running explora de forma positiva as propriedades da água. O impacto nulo e a pressão hidrostática dão um efeito massageador e regenerativo ao corpo”, explica o professor Marco Antônio Ramos. “A sobrecarga imposta na água é 12 vezes maior que a do ar. Por isso, existe a sensação de que você se move mais lento dentro da água, mas com mais força para completar a atividade.”

Aliado de corredores

A alta incidência de lesões nos joelhos em praticantes de corrida de rua e as propriedades de baixo impacto da água chamaram a atenção do professor e doutor em educação física e fisioterapia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS) Leonardo Alexandre Tartaruga, em 2003. Ele dividiu 18 corredores de elite em dois grupos. Um grupo corria seis vezes na semana apenas em asfalto e o outro mudava em dois dias para a atividade dentro da piscina.

Após oito semanas, o condicionamento e a capacidade aeróbica dos corredores dos dois grupos se mantiveram. A diferença encontrada foi que no grupo que dispôs dois dias na deep running diminuiu as chances de adquirirem lesões corporais.

O servidor público Marcelo Lima, 38 anos, teve o pé lesionado por causa da corrida, em novembro do ano passado. Enquanto não podia correr no asfalto, 15 dias após a lesão, procurou a aula de corrida na água para não ficar parado. “O meu fortalecimento muscular, após ter começado as aulas, foi nítido. Correr dentro da água me faz correr no asfalto com mais segurança contra as lesões” comenta o servidor público, que já não tem mais o pé lesionado, mas continua aluno fiel da aula de deep running.

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