Pesquisadores da UFU integram equipe que identificou genoma do barbeiro

Imagem: Comunica | UFU

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Uma equipe internacional de cientistas, com a participação de pesquisadores de diversas instituições brasileiras, sequenciou e analisou pela primeira vez o genoma do inseto Rhodnius prolixus, uma das espécies dos popularmente conhecidos como barbeiros e apontados como principais vetores da doença de Chagas. Professores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) lotados no campus Patos de Minas, Matheus de Souza Gomes – do Instituto de Genética e Bioquímica – e Laurence Rodrigues do Amaral – da Faculdade de Computação – fazem parte da equipe que realizou os estudos e assinou artigo publicado na edição da última segunda-feira, 16/11, do periódico científico “Proceedings of the National Academy of Science” (PNAS), um dos mais conceituadas da área.

Os dados levantados durante as pesquisas apontam características únicas deste grupo da subfamília dos Triatomíneos e podem ajudar no desenvolvimento de novas estratégias de prevenção da transmissão do mal provocado pelo parasita Trypanosoma cruzi, que afeta cerca de sete milhões de pessoas no mundo, a maioria na América Latina. “A publicação deste artigo tem um impacto muito grande para sociedade, uma vez que a doença de Chagas é uma das mais estudadas no Brasil, devido seu impacto principalmente nas comunidades mais carentes”, aponta Gomes, acrescentando que ele e Amaral utilizaram a estrutura do Laboratório de Bioinformática e Análises Moleculares da UFU em Patos de Minas durante o desenvolvimento do trabalho.

Constatações

Fazendo uma comparação com os genomas de outros insetos transmissores de doenças, verificou-se que do barbeiro apresenta diversas regiões “estendidas” que explicam sua evolução para se tornar hematófago, isto é, que se alimenta de sangue. Nestas regiões estão genes responsáveis pela produção de proteínas para identificação de odores que os ajudariam a encontrar suas presas, além de proteínas na saliva com propriedades anticoagulantes e anestésicas que permitem ao barbeiro se alimentar sem ser notado, e proteínas no sistema digestivo para que ele possa digerir o sangue de suas vítimas.

A relação “silenciosa” que se estabelece entre o sistema imunológico do barbeiro e o protozoário causador da doença é tida como aspecto chave para auxiliar no combate ao Chagas. Experimentos iniciais que bloquearam duas das mais comuns vias de reação imunológica existentes nos insetos, e também nos barbeiros, não tiveram influência na contagem dos parasitas no seu abrigo, o sistema digestivo dos barbeiros.

A expectativa dos cientistas é de que futuros estudos com base nos dados do genoma encontrem maneiras de afetar esta relação para evitar ou dificultar que os barbeiros transmitam a doença. Uma nova pesquisa em curso tem como principal objetivo identificar quais genes do barbeiro são mais ou menos ativos com a presença do parasita. A ideia é utilizar as novas descobertas sobre como se dá a interação dos organismos do inseto e do parasita para interferir nesta relação e, assim, adotar uma nova estratégia de prevenção à doença de Chagas. (com informações do jornal “O Globo”)

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