Professora da UFU cria anticorpo para diagnosticar câncer de mama

Premiação aconteceu em São Paulo (Foto: Arquivo pessoal)

Premiação aconteceu em São Paulo (Foto: Arquivo pessoal)

Um anticorpo construído por engenharia genética capaz de reconhecer o câncer de mama: esse é o resultado da pesquisa desenvolvida pela professora Thaise Gonçalves Araújo, do curso de Biotecnologia de Patos de Minas, vinculado ao Instituto de Genética e Bioquímica (Ingeb/UFU), em conjunto com outros pesquisadores.

O grupo manipulou material genético de dez pacientes que tinham câncer de mama e, consequentemente, desenvolveram anticorpos contra o tumor. A partir da informação do material genético dessas pacientes, os pesquisadores construíram uma variabilidade de anticorpos muito maior do que as próprias mulheres tinham. Foram selecionados aqueles que reconheciam proteínas tumorais e chegou-se ao Fabc4, o anticorpo que reconhece proteínas do câncer de mama.

“Quando testamos esse anticorpo vimos que ele conseguia diferenciar as pacientes que tinham câncer daquelas que tinham doenças benignas. No grupo de pacientes com câncer vimos que ele identificava as que tinham tumores de grau três ou triplos negativos, para os quais só tem um tipo de tratamento, quimio e radioterapia”, explica Thaise.

A descoberta do anticorpo rendeu à pesquisadora o Prêmio Octavio Frias de Oliveira de 2015, realizado pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira (Icesp), em parceria com o grupo Folha de São Paulo. O trabalho foi reconhecido no quesito Inovação Tecnológica e a premiação aconteceu em agosto.

Também participaram do estudo os professores Luiz Ricardo Goulart Filho (Ingeb/UFU) e Iara Cristina de Paiva Maia (Faculdade de Medicina/UFU), além de profissionais do Hospital do Câncer de Barretos e do A. C. Camargo Câncer Center. A pesquisa, que teve início no mestrado de Thaíse Araújo, foi financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de Minas Gerais (Fapemig).

Agora estão sendo feitos os testes em células. “Queremos saber se além desse perfil diagnóstico o anticorpo pode, por exemplo, conter a proliferação ou induzir à morte de células tumorais”, afirma Thaíse. Caso essas hipóteses se confirmem, pode-se chegar a uma forma de tratamento disponível para a sociedade, mas a professora alerta que o percurso é longo: após os testes em células in vitro e células vivas, são feitos os testes em animais e só depois em humanos.

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