Obesidade: alto risco sobre a fertilidade e as gestações

  A obesidade e o sobrepeso ocasiona menor índice de gravidez espontânea, reduz resultados dos tratamentos para engravidar, assim como aumenta a incidência de abortamentos e complicações gestacionais

Atualmente a prevalência de obesidade nos Estados Unidos (EUA) está em torno de 35% e 20% na Inglaterra, sendo que mais de 50% das americanas e inglesas têm obesidade ou sobrepeso. No Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Ibge) de 2010, 40% da população está com excesso de peso. O sobrepeso também atinge 30% das crianças, 48% das mulheres e 50,1% dos homens acima de 20 anos.

A obesidade e o sobrepeso têm consequências sobre a fertilidade, levando a maior incidência de problemas reprodutivos, menor índice de sucesso e maior custo dos tratamentos. Tânia Balcewicz, especialista em Reprodução Humana da Clínica Plena Fértile, ressalta que na mulher, a obesidade reduz a qualidade do óvulo e diminui a receptividade endometrial, levando a redução da fertilização e da implantação embrionária. Já no homem, aumenta a fragmentação do DNA dos espermatozoides e interfere negativamente sobre a qualidade embrionária.

As mulheres obesas e com sobrepeso têm menor índice de gravidez espontânea, necessidade de maior quantidade de medicamentos indutores da ovulação, menor índice de óvulos e das taxas de implantação nas fertilizações in vitro/injeção intracitoplasmática de espermatozoides (Icsi), menor índice de nascimentos com ou sem tratamento e maior índice de abortamentos quando comparadas com as mulheres com peso ideal.

“Durante a gravidez, a obesidade aumenta significativamente o risco de pré-eclampsia, doença hipertensiva da gravidez, de diabetes gestacional e mortalidade materna. As taxas de prematuridade e mortalidade perinatal também aumentam”, explica Tânia.

Esses fatos constituem a argumentação favorável a contraindicar o tratamento da infertilidade nas mulheres com alto Índice de Massa Corpórea (IMC). Os argumentos em contrário são a dificuldade em implantar uma política para acesso ao tratamento, a estigmatização e a discriminação dessas mulheres, o baixo sucesso nas intervenções para redução de peso e o potencial conflito entre IMC e idade (nem sempre é possível esperar pela perda de peso, uma vez que o aumento da idade feminina reduz drasticamente a fertilidade).

É necessário que se discuta de maneira clara com os casais que desejam engravidar e estão muito além do peso ideal, o impacto negativo deste fator. “Nem sempre o casal leva a sério este problema e não tem o conhecimento dos dados científicos dos piores resultados nos tratamentos, e portanto subestima a real importância da adequação de peso”, explica Tânia.

A especialista reforça os dados confirmados dos estudos: de dificuldade de gestação espontânea, menor chance de gestação e maior custo com tratamentos, além do maior risco de complicações maternas e fetais, para que então se faça o planejamento de metas de redução de peso e prazo para continuidade do tratamento, deixando sob a responsabilidade do casal a decisão do melhor momento para seguir este tratamento.

Assessoria de Imprensa/MMatsuo

 

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