Síria está colocando minas terrestres em rotas de refugiados, diz ONG

Refugiados sofrem nas mãos do governo sírio

Refugiados sofrem nas mãos do governo sírio

O regime sírio está colocando minas terrestres em locais próximos às fronteiras com a Turquia e o Líbano, em rotas usadas por refugiados para escapar da violência no país, afirmou nesta terça-feira a ONG Human Rights Watch. As acusações da ONG foram feitas com base em relatos de testemunhas e pessoas que dizem ter desmontado minas.

Ao mesmo tempo, o enviado especial da ONU, Kofi Annan, está na Turquia, onde espera, ainda nesta terça, uma resposta da Síria à sua proposta para pôr fim à crise, que já deixou 8 mil mortos no no país, segundo a organização.

Em um ano de confrontos entre tropas do regime e opositores, calcula-se que 230 mil sírios tenham sido a forçados a deixar suas casas. Segundo a agência de refugiados da ONU, 30 mil deles viajaram ao exterior e 200 mil estão deslocados dentro da própria Síria.

A Human Rights Watch instou a Síria a interromper a instalação de minas terrestres, qualificando os artefatos de “militarmente ineficientes”, ressaltando que provavelmente matarão e irão ferir principalmente civis ao longo de anos.

A ONG relatou ter recebido informações de um ex-removedor de minas do Exército sírio, que disse ter desmontado, com colegas, cerca de 300 artefatos na região de Hasanieh (rota usada para ir à Turquia) apenas no início deste mês.

Há relatos de que um menino de 15 anos teria perdido uma perna após a explosão de uma mina nas proximidades da fronteira com o Líbano.

“Eu estava a 50 ou 60 metros da fronteira quando a mina explodiu”, disse o garoto, em depoimento ao HRW.

Tratado contra minas

“Não há nenhuma justificativa para o uso dessas armas por nenhum país, em nenhum lugar, por nenhum propósito”, criticou Steve Goose, diretor da HRW.

A Síria – que não está entre os 159 países signatários do tratado de 1997 banindo a produção, o uso e o estoque de minas terrestres – não respondeu publicamente às acusações da ONG.

A Human Rights Watch diz que não estão claros o tamanho e a origem das minas usadas pela Síria, mas acredita-se que a maioria seja de fabricação russa, da era soviética.

Em novembro, uma autoridade do regime sírio já havia admitido à agência Associated Press que a instalação de minas terrestres estava entre as medidas adotadas pelo país árabe para “controlar suas fronteiras”.

O correspondente da BBC no lado turco da fronteira, Jonathan Head, relata ter visto refugiados que perderam partes do corpo em explosões dos artefatos.

Ele informa também que o campo de refugiados de Hatay, comandado pelo Crescente Vermelho, está recebendo cerca de 200 pessoas por dia, fugindo da ofensiva do regime contra a cidade síria de Idlib e arredores.

Proposta de paz

No lado turco, o enviado Kofi Annan disse aguardar uma resposta de Damasco às “propostas concretas” apresentadas ao presidente sírio, Bashar al-Assad.

O plano, segundo Annan, tem três objetivos: um cessar-fogo, o acesso à ajuda humanitária e o início de um diálogo político.

Mas o enviado da ONU admitiu que o processo diplomático levará tempo – ele descreveu a situação na Síria como “muito complexa”.

Na última segunda-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, instaram a comunidade internacional a se unir na reação à Síria.

Hillary declarou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que a “horrível campanha de violência” na Síria “chocou a consciência do mundo”.

“Acreditamos que chegou a hora de todas as nações, mesmo as que previamente bloquearam nossos esforços (em referência a Rússia e China, que vetaram uma resolução contra a Síria no CS) a apoiar a abordagem humanitária e política traçada pela Liga Árabe”.
Redação Uipi!
Fonte: BBC Br

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