Trabalho infantil e os 22 anos do ECA

Na semana em que o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente – comemora 22 anos de vida ainda se discute o permitir ou proibir o trabalho a menores de 16 anos.

 

ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente

ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente

 

O trabalho dignifica o homem

Não meu caro! O estudo também dignifica o homem e o estudo oferece oportunidades do trabalho com sucesso e continuidade.

O trabalhador com estudos tem as chances de acidentes minimizadas, carreira otimizada, melhores salários e muitas outras vantagens sobre o trabalhador que não estudou. Outro fator relevante a considerar é que o trabalho comprovadamente afasta o adolescente dos estudos.

Dinheiro é importante

Muitos pais e educadores defendem a remuneração financeira pelo trabalho aos menores de 16 anos, mas eu penso que se o dinheiro fosse o primeiro motivador para o trabalho, só sobrariam as profissões que dão mais dinheiro incluindo-se nelas a prostituição e o tráfico de drogas ou comércio de objetos clandestinos “isentos” de altas taxas de pagamento de impostos.

Ouvi uma mãe argumentando “Antes meu filho trabalhando do que na rua roubando”. Como se não existisse a opção “Na escola aprendendo”.

Na escola aprendendo

Porque realmente esta opção não existe. A escola atual além de existir apenas em um curto período do dia (meio período) ainda é como dizia o professor Hamilton Werneck: “Se você – professor –  finge que ensina, eu – aluno – finjo que aprendo”.

Com certeza, este menino a que a mãe se refere não tem bons resultados na escola e consequentemente não gosta de ir para as aulas e mesmo de fazer as lições de casa.

O insucesso do filho e o não gostar levam esta e outras mães concluírem que o estudo deve ser para os filhos dos outros e não para os dela.  Esta mãe afirma isto porque não conhece a realidade “na escola aprendendo, crescendo, se socializando, formando sua cidadania e se profissionalizando.” Apenas conhece a escola de meio período e que ainda exclui seu filho dizendo: “Ele não quer, se ele quisesse ele poderia ser um bom aluno…”

Estas afirmações: “Se ele quisesse…” “Quando ele quer…” são afirmações que a escola faz avalizando a conclusão: “Escola não é para ele!”. Prefiro aceitar a afirmação do Prof. José Pacheco: “Não há problemas de aprendizagem e sim problemas de ensinagem.” E motivada por esta filosofia a resposta da escola seria em forma de perguntas:

1: O que fazer para que este menino passe a ter prazer em freqüentar a escola?
2: Como fazer para que este menino tenha sucesso nos estudos?

Se a escola, a sociedade, os juristas e demais envolvidos com crianças e adolescentes acreditarem que estas respostas existem independentes da “boa vontade” ou do “desejo” do aluno, com certeza estaremos criando sistemas eficazes de ensino onde não será preciso o menor ir trabalhar no mercado de trabalho para poder aprender a ter dignidade e profissão.

Efetivando ações que respondam a estas duas perguntas estaremos sim promovendo a segurança e retirando nossas crianças e adolescentes de situações de risco inclusive o risco de desemprego em um futuro próximo.

Vagas de trablho e não há pessoas para ocupá-las

Um dos riscos que estaremos afastando destes meninos que recebem autorização para trabalhar antes da idade prevista no ECA (14 à 16 anos em caráter de menor aprendiz) é o risco de desemprego num futuro próximo uma vez que em nosso país existem muitas vagas de serviços que estão abertas por não encontrar pessoas capacitadas para ocupá-las.

Que nosso governo ofereça ás crianças e adolescentes escolas com sistemas alicerçados nos quatro pilares de Jacques Delors “Ser- conviver- aprender- fazer” e que nossos sistemas educacionais ofereçam mais oportunidades de menor-aprendiz aos adolescentes entre 14 e 16 anos e profissionalização aos maiores de 16, no lugar de se preocuparem com o imediatismo e deixarem os adolescentes vulneráveis ao risco de se tornarem adultos com mão de obra barata.

Se você concorda com meu artigo assine a petição pelo fim das autorizações judiciais para o trabalho infantil.

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Sobre Coluna Educação

Ely Paschoalick é educadora e consultora em comportamento humano, nascida em Batatais - SP. É a terceira filha dos educadores sociais Guilherme Paschoalick e Maria Alzira Corrêa Paschoalick. Ely é avó de cinco netos Eduardo, Fernando, Roberto, Nikolas e Guilherme. É mãe de Tatiana Cristina, Vanessa Cristina e Moisés Guilherme. Paschoalick realiza palestras por todo o Brasil; atende consultas de orientação às crianças, jovens, pais, professores, supervisores e demais envolvidos no processo educacional; presta consultoria educacional aplicada em escolas e consultoria organizacional a empresas de prestação de serviço, comércio e indústria. É mediadora do programa "Concentração Training" cujos exercícios ampliam o poder de: Observar! Analisar! Perceber! Comparar! Sintetizar! Concluir! E auxiliam o aluno a desenvolver uma autoestima positiva. Ely é colunista de vários sites e constantemente está na mídia regional do Triângulo Mineiro -onde reside- que carinhosamente a chama de "Super Nany do Cerrado”. Ely Paschoalick possui formação em Administração Escolar, com especialização em consultoria Organizacional e Educacional. Atua profissionalmente desde 1968 tendo ministrado palestras, cursos e consultas para mais de 30 mil pessoas atendendo consultas a alunos de todas as idades, pais e educadores.

Uma resposta a Trabalho infantil e os 22 anos do ECA

  1. RUTE CANDIDA disse:

    ARTIGO MARAVILHOSO …
    A SEMENTE DO CONHECIMENTO JÁ MAIS PODE MORRER,É NECESSARIO REGAR. EXISTE O TEMPO CERTO PARA TODAS AS COISAS.PARABÉNS

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